Breves

 

 

 

 

 

 

 

Download

Programação Mindelact 2011

download

 

 

 

 

 

 

Mindelact 2011 - Diário do Festival

Diário 1 |  Diário 2 |  Diário 3 |  Diário 4


Sejam bem-vindos a mais uma festa do teatro!


É assim o Mindelact…


“Começou a festa”. É um começo de texto extremamente pobre para a riqueza do cartaz do festival Mindelact deste ano, bem sei. Mesmo assim não resisto ao “Começou a festa”, pois é disso que se trata o Mindelact. A comemoração do pacto íntimo entre uma cidade, cosmopolita por vocação e seus habitantes sempre à espreita que a cultura resgate a cidade.


Sim falemos da festa. Desta festa que nem é feita de um ingrediente só, que até nem é pelo seu componente principal que se distingue e se mantém. Mindelact é teatro de corpo e alma, de cara e coração, mas o secreto condimento que o justifica ano após ano está não nos nomes que o dão brilho mas no sublime sentimento que une a cidade e seus citadinos à volta de vários palcos, de textos requintados e de soberbas interpretações. O melhor de Mindelact é o saber receber, os pormenores à volta do evento, as conversas à volta das peças, os encontros “enquanto se espera que a porta se abra e o teatro acontece”.  O melhor de Mindelact é a cidade e os braços abertos de quem no recebe, os pequenos detalhes da programação, os imprevistos e as improvisações…no palco e na mecânica dos momentos de que se faz um festival.


Abre-se a porta da sala, percorremos a sala e as caras amigas de sempre, sentamo-nos ao som dos pequenos burburinhos. Enquanto esperamos que a luz se suavize percorremos os pormenores do cenário à procura de anteciparmos as histórias da peça. Enquanto isso vejo na mente Enano, o palhaço activista, em plena euforia despertando a rua de Lisboa da monotonia, percorro em pormenor as expressões de espanto dos que com ele se cruzaram, a alegria e a magia do teatro. As mesmas expressões e emoções nas caras das crianças que à tarde na Academia JotaMonte soltaram valentes gargalhadas e se empenharam em acompanhar o enredo da peça “Os Saltimbancos”. É dessa casta de coisas que é feito um festival como o Mindelact: crianças assistindo com espanto e júbilo a uma peça feita a partir de uma obra original de Chico Buarque de Holanda com toques mágicos da revisitação d”Os músicos de Bremen” do irmão Grimm. A esta casta de coisas chama-se arte, chama-se educar com qualidade.


Finalmente, o palco e a luz se ajustam ao ambiente de quem espera magia. Um momento ainda para evocar o esforço e a dedicação do grupo Cem-Mente na sua peça Futuro Obscuro, feita no Centro Social de Ribeira de Craquinha. O teatro também vai às periferias. O teatro pode de facto fazer magia e mudar o rumo de muitas vidas, foi o que eu vi na face e nas expressões desses jovens actores. Abre-se a porta do teatro pela última vez e entra José Mauro Brant… para uma noite de elogio à arte de se fazer teatro qualidade: um palco, o cenário, um texto de excelência e um actor em plena consciência das suas capacidades. Surpreendente e mágico. Voilá, é assim o Mindelact.

.

Abraão Vicente

11/09/2011

 

.patrocinadores