O
FITEI, que decorre na cidade do Porto em finais de Maio e
início de Junho é um dos mais importantes e antigos
festivais de teatro de Portugal, e um dos mais
prestigiados da Europa.
Desde
1996 que um grupo oriundo de Cabo Verde não participava
neste evento que ao longo dos anos sempre tem dado um espaço
ao teatro que se faz nos países africanos de expressão
portuguesa.
Na
(ainda) curta história da internacionalização do teatro
cabo-verdiano,
é inquestionável que o FITEI – Festival Internacional
de Teatro de Expressão Ibérica, foi um grande e
privilegiado espaço de divulgação e funcionou como
primeira montra do teatro nacional, tendo por lá já
passado 5 grupos teatrais cabo-verdianos. A importância
deste festival portuense é enfatizado por Carlos Porto,
pois, segundo este crítico teatral o FITEI abriu «espaço
a outras vozes, a outros cantos, a outras realidades
teatrais, nomeadamente de raiz africana, com o que há de
especifico na sua criatividade. Podemos acrescentar que se
outros méritos não tivesse (e teve, de facto), esse
bastaria para consagrar o FITEI em termos históricos: o
de ter ajudado a tornar conhecidas práticas de teatro que
permaneciam ignoradas, não só em Portugal como noutros
lugares do mundo».
O
primeiro a apresentar-se neste importante festival de
teatro foi o grupo Korda Kaoberdi que em 1981,
pouco antes do seu desaparecimento, apresentou a peça
"Rai di Tabanka". Na edição de 1992,
o Grupo Juventude em Marcha, apresenta a peça
"Rabo de Bruxa", repetindo a presença no
ano seguinte com "Canjana".
Em 1994 foi a vez do grupo
mindelense Mar-av-ilha se apresentar no FITEI. A
obra escolhida para representar o grupo foi a peça "Morte
e Vida Braba". Em 1996, o Colectivo
Teatral do Mindelo, um grupo formado apenas para
viabilizar esta participação, apresentou a peça "Sofias"
uma encenação do italiano Lamberto Carrozzi.
No
que diz respeito ao FITEI, só sete anos depois, ou seja,
em 2003, é que o teatro cabo-verdiano voltou a estar
representado, com a Associação Burbur, grupo
sediado em Portugal, que apresentou em estreia a peça
"As-Águas", uma adaptação de Chiquinho
de Baltasar Lopes.
Ou
seja, foi preciso esperar 10 anos para ver um grupo de
teatro viajar de Cabo Verde para a cidade do Porto e
representar as artes cénicas cabo-verdianas em tão
importante evento. E a verdade é que o GTCCPM - ICA
já está bem rodado nestas andanças pelo mundo fora. No
seu historial de 13 anos, conta já com mais de vinte
participações em eventos internacionais ligados ao
teatro, em países como Portugal, Brasil, Itália, França
ou Holanda.