| Palavras
de Germano Almeida regressam aos palcos crioulos
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Esta
é a terceira vez que peças de teatro resultam de
adaptações de obras do mais internacional dos escritores
cabo-verdianos, sempre por iniciativa do Grupo de Teatro do
Centro Cultural Português do Mindelo - ICA. Em 1999, este
grupo encenou «Os Dois Irmãos», em 2000 foi a vez do
conto «Agravos de um Artista». Desta vez o texto adaptado
foi a obra «O Mar na Lajinha», que dará origem à peça
«Mulheres na Lajinha». Estreia dia 11 de Setembro.
Mulheres na Lajinha
A
Lajinha é como a Praça Nova, um local por onde passa toda
a cidade do Mindelo, mas onde muitos dos seus habitantes
nunca se encontram ou sequer se cruzam. Os últimos noctívagos
cedem lugar aos adeptos dos banhos matinais da mesma maneira
que as brincadeiras das crianças de tenra idade se
não misturam
com os jogos eróticos dos adolescentes.
Nestes
espaços, em que as rotinas se cruzam, acabam por se criar
relações que, não ultrapassando esse delimitado território,
se prestam a desabafos e inconfidências. Relações que se
fazem e desfazem com a rapidez de quem vive à mercê da
chegada dos navios e do imprevisível curso da história.
Na
Lajinha, cada momento do dia dá-nos apenas uma fracção da
cidade, pedaços da sua alma apanhados em fragmentos de
conversas, em rostos mais ou menos familiares, em episódios
que testemunhamos sem nunca virmos a saber exactamente como
terminam, ou como começaram.
Somos
surpreendidos por conversas despreocupadas e alegres porque
este povo ganhou alma de cigarra e aprendeu a sobreviver à
incerteza do futuro, gastando a vida sem pensar no dia de
amanhã.
Numa
manhã bem cedo, quatro mulheres tomam banho, fazem ginástica
e falam da vida e dos homens naquele tom de voz alto e
desbragado de quem soube tirar o melhor proveito de um
destino difícil e não deve nada a ninguém.
Ana
Cordeiro
cartaz
da peça com ilustração de Manuel
Figueira
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