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| Obrigado,
em memória de Conceição Vicente
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A
12ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo
- Mindelact 2006 chegou ao fim. Com brilho, muita emoção e
algumas lágrimas. E acima de tudo com a esperança
redobrada. Um encerramento que aconteceu na presença do
Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, que pela
primeira vez esteve presente, num sinal de claro apoio do
Estado ao maior evento teatral cabo-verdiano. Nem todos os
espectáculos foram recebidos com agrado, mas de uma coisa
ninguém se pode queixar: falou-se e debateu-se muito sobre
teatro durante estes dez dias mágicos.
Discurso
de encerramento do director artístico do Festival Mindelact
«Desta
vez começo pelo fim. Agradecendo a todos aqueles que
permitiram que este festival se pudesse realizar, ou como
escreveu a revista da Semana, a todos aqueles que permitiram
que mais uma vez se realizasse o milagre cabo-verdiano.
Quando
a poucos dias do inicio desta 12ª edição do festival
internacional de teatro do Mindelo me perguntavam na
comunicação social qual a principal novidade deste ano, a
resposta era invariavelmente a mesma: a novidade é o
festival acontecer. E de facto assim foi, porque as
dificuldades que são públicas não foram referenciadas por
mero golpe publicitário ou qualquer estratégia de
marketing, nem para desvalorizar os apoios recebidos este
ano. Ao contrário, ao enfatizar essas mesmas dificuldades,
valorizamos ainda mais quem nos ajudou e permitiu que este
festival recuperasse as suas energias e a sua vitalidade.
Por
isso obrigado a todos. Obrigado, título do espectáculo que
o extraordinário artista galego Quico Cadaval apresentou
aqui, e que será a palavra mais repetida nesta nossa
intervenção. Obrigado aos nossos patrocinadores, Cooperação
Portuguesa, Banco Comercial do Atlântico, Tecnicil, Câmara
Municipal de S. Vicente e Cabo Verde Airlines na primeira
linha. Obrigado à CV Telecom, à Shell Cabo Verde, à
Garantia, Sociedade Cabo-verdiana de Tabacos e Caixa Económica
de Cabo Verde.
Obrigado
às águas de Cabo Verde que não nos deixou passar sede, e
aos hotéis MindelHotel, Casa Café Mindelo e Sodade, pela
simpatia e competência na recepção dos nossos convidados.
Obrigado
ao Centro Cultural do Mindelo por permitir que fizéssemos
da sua casa a nossa casa. Obrigado ao Centro Cultural
Português – Instituto Camões por todo o apoio, muitas
vezes pouco visível, mas permanente ao longo de todo o ano.
Obrigado ao Ministério da Cultura de Cabo Verde pela
promessa de uma maior colaboração nos próximos festivais.
Obrigado, Sr. Primeiro Ministro de Cabo Verde, pela sua
honrosa presença, que assinalamos também como um sinal de
uma cumplicidade que julgamos indispensável no futuro, até
porque acima de tudo, todos os que fazem este festival
trabalham, suam, lutam, sofrem, se sacrificam, pelo amor
inexcedível que sentem pelo nosso país, Cabo Verde.
Obrigado
à empresa Faísca e a toda
a equipa pela execução técnica deste festival, que se
vem tornando cada vez mais exigente a cada dia que passa.
Obrigado
às instituições oficiais que deram apoio directo e
indirecto, apoiando as companhias que nos visitaram, e para
além do Instituto Camões, União Latina e Fundação
Calouste Gulbenkian, destaco o facto deste festival ter tido
o apoio de quatro ministérios da cultura, a saber, Ministério
da Cultura de Portugal, Angola, Brasil e Cabo Verde, e ainda
do Governo das Canárias.
Obrigado
aos órgãos de comunicação social, aos jornalistas
destacados para a cobertura do Mindelact 2006, pela dedicação
e paciência, e cujo trabalho permite tornar o nosso vosso
festival algo mais visível no resto do país e no mundo.
Obrigado
aos grupos de teatro e a todos os colaboradores do festival
que são o esteio deste nosso, vosso festival. Obrigado,
finalmente ao público, por ter comparecido em tão grande número
e fazer deste evento seu, com carinho, alegria e
cumplicidade.
Obrigado
ainda para aqueles que por lapso não foram mencionados,
assim como àqueles que por alguma razão ou outra,
criticam, de forma construtiva o caminho que vamos fazendo
juntos. Obrigado também aos que nos dificultam na
caminhada, por obscuras razões que a alma humana
desconhece, até porque as grandes conquistas não o são e
tem menos significado sem obstáculos, sem contrariedades,
sem sacrifícios.
Alguns
dias após o início deste festival, uma mulher com o nome
de baptismo igual ao desta ilha, fundadora da associação
Founaná Projectos e que dedicou toda a sua vida às crianças
e ajudar os outros, morria em Portugal, deixando em choque
todos os que com ela conviveram e trabalharam. Viveu alguns
anos
em Cabo Verde
e deixou a sua marca, pela generosidade, pela capacidade
mobilizadora e solidária, pelo carinho inexcedível. A essa
mulher, São Vicente de seu nome, dedico, em meu nome
pessoal, esta edição do festival Mindelact.
Também
a pensar nela renovamos esperanças. Estamos mais fortes e
mais confiantes. Porque este não é simplesmente um
festival. Todos os que aqui estiveram, grupos,
colaboradores, técnicos, público, têm algo
em comum. Gostam
, amam essa arte única que é o teatro. É a própria
natureza do teatro que nos dá alento e fé num futuro
melhor, porque ele, o teatro, é a melhor ferramenta humana
e artística, aquela que mais está capacitada para lutar
contra a mediocridade, a hipocrisia, o individualismo, a
falsa moralidade. Como afirmou um importante encenador,
o acto teatral não é mais do que isso: devolver ao Homem
aquilo que ele foi perdendo, nomeadamente, a simplicidade e
a humildade. E para as reencontrarmos temos de nos lavar de
todas as porcarias, de nos despojar de todos os maus hábitos.
E este festival é um evento que faz isso, lava-nos a alma.
Termino
citando uma frase de Luís Miguel Cintra, um dos mais
importantes encenadores portugueses contemporâneos:
«O
teatro não é uma arte individual, é uma arte colectiva.
No teatro não se pode trabalhar sozinho. E ainda bem. O
teatro ensina a viver. A viver com os outros e para os
outros. Percebi que trabalhar no teatro não era só viver
em grupo, era trabalhar para toda a gente, apresentar-se em
público, intervir, tentar fazer de toda a sociedade o nosso
grupo.» E o nosso grupo são todos os grupos.
É
isso que continuaremos a fazer. E para que não haja dúvidas
dizemos aqui e agora, não um «declaro encerrado o
Mindelact 2006», mas sim, e com todo o alento dos nossos
espíritos: «bem-vindos Mindelact 2007».
Até
pró ano, nha gente!
Obrigado
Mindelo,
17 de Setembro de 2006
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