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Mindelact 2006: quatro dias inesquecíveis
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Os
primeiros dias do festival Mindelact 2006 estão a superar todas
as expectativas. O ambiente do Centro Cultural do Mindelo parece
transfigurar-se e respirar teatro por todos os poros. A actuação
da companhia angolana Miragens Teatro aconteceu ontem e é já um
dos espectáculos mais marcantes desta edição. Inesquecível.
A
belíssima instalação cenográfica «Nôs Compadecida»,
tem funcionado como um cartão de visita no coração do
festival, as bancadas colocadas no pátio transformam o espaço
num pequeno e simpático anfiteatro ao ar livre e a área
contígua ao próprio Centro Cultural do Mindelo, com o
parque de estacionamento transformado num bar tradicional
cabo-verdiano – uma iniciativa da Kaza d’Ajinha de Kiki
Lima, tudo isso tem contribuído para esta atmosfera
prazenteira e alegre que sempre foi apanágio do festival de
teatro Mindelact.
Os
espectáculos têm também correspondido, com uma abertura
feita pelo Sarron.com, que apostou na inovação: um musical
cabo-verdiano, com a direcção musical do virtuoso Hernâni
Almeida, actrizes cantando e dançando no palco com belos
figurinos, transportando-nos para o tempo em que o Porto
Grande do Mindelo movimentava a cidade e tudo isto ao bom
estilo dos musicais da Broadway.
A sala, completamente esgotada, aplaudiu o «atrevimento» e
todos saíram com um sorriso nos lábios, como quem acaba de
rever um de antigas fotografias de família.
O
segundo dia ficou marcado pelo espectáculo do grupo Art’Imagem,
que com um texto denso e difícil nos brindou com um grande
trabalho de interpretação, com destaque para o
cabo-verdiano João Paulo Brito, que mais uma vez provou ser
um dos actores nacionais mais versáteis do momento.
A
companhia das Canárias, Teatro del Encanto trouxe-nos uma
peça em que a completa identificação da temática –
saudade, espera, o mar, a perspectiva da viagem para terra
longe – foi a pedra de toque. Apesar das dificuldades de
entendimento, pois o texto foi todo interpretado em
castelhano, o público aplaudiu de pé as 4 actrizes que
trouxeram beleza e encantamento aos palcos do Mindelo.
Entretanto,
os espectáculos não se limitam ao palco principal. As
crianças deliciam-se com o programa Teatrolândia –
patrocinado pela Garantia -, que já levou o teatro à rua,
com o divertido Enano. Este artista espanhol fez também a
abertura do Festival Off no Sábado e podemos dizer que foi
o momento mais hilariante do festival até hoje. O estilo de
interpretação, com muita interacção com o publico, fez
com que alguns desprevenidos espectadores tivessem sido
apanhados pelo actor, que os transformou em artistas do
momento. De destacar ainda o Staticman, que deixou todos de
boca aberta e arrancou largos aplausos com a sua estátua de
Mozart, no primeiro dia do evento.
«A
organização deste festival é bastante profissional»,
comentou o técnico Paulo Martins do Art’Imagem
(Portugal), já muito habituado a estas andanças. Por sua
vez, o director artístico do evento, João Branco, prefere
reforçar a importância da implementação da cultura do
Mecenato
em Cabo Verde
, agradecendo o apoio das empresas nacionais e enfatizando a
importância da Cooperação Portuguesa na realização do
evento. «Esse apoio foi significativo e, mais do isso,
emblemático, porque a Cooperação Portuguesa,
naturalmente, é uma entidade extremamente exigente e
selectiva no que diz respeito às suas escolhas e apostas na
ajuda ao desenvolvimento. Ao continuar apostar neste
festival, a Cooperação Portuguesa está a reconhecer o
festival Mindelact como um factor de desenvolvimento
cultural e social deste País. E esse reconhecimento é
motivo de grande orgulho para todos nós».
Artistas
de Angola, Brasil, Galiza, Canárias, Itália, EUA e de várias
ilhas de Cabo Verde convivem diariamente entre as paredes do
Centro Cultural do Mindelo e pelas ruas e praças da cidade,
comprovando, se preciso fosse, que este festival é acima de
tudo, hoje e cada vez mais, um festival de afectos e
cumplicidades humanas.

«Mulheres
na Lajinha» - do GTCCPM
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