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S. Nicolau e Sal no Festival Off:
a crítica de Micaela Barbosa
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Reflectindo
sobre os trabalhos apresentados pelo Grupo de Teatro B’Leza
de S. Nicolau e Grupo de Teatro Estrelas do Sul da ilha do
Sal, O patrão e suas
maldades e Sim,
sim, não, não, respectivamente, questiono em que
formato e com que objectivos se realiza o Off. Pela
qualidade dos trabalhos apresentados facilmente chego à
conclusão da validade da expressão «O
importante é participar!!!».
Poderá parecer um pouco redutor este raciocínio,
mas ressalvo que o Festival Mindelact possui nos seus mais
nobres objectivos a criação de oportunidades de encontro
dos grupos das várias ilhas e troca de experiências, o que
muito positivamente aclamo.
Mas partindo para outras reflexões, estes
dois grupos apresentaram-se muito frágeis
ao nível de trabalho cénico. Repetindo o que tem
sido prática corrente, basearam as suas performances em
improvisação. E aqui faço um parêntese, nesta questão
da improvisação. É importante percebermos que para
improvisar temos que dominar as ferramentas de improvisação.
Assim como o músico que domina as pautas, as melodias, as
medidas do seu instrumento; como o bailarino que domina as
unidades do seu corpo e do seu movimento e só assim partem
para a improvisação, também o actor tem que dominar tudo
o que está subjacente á arte da representação para poder
mergulhar num exercício de improvisação, senão corre o
risco da mediocridade em cena. Já nos cansa a piada fácil,
já se esgotaram todos os clichés, é momento de
percebermos em que mar navegamos. Mas se estes espectáculos
pecaram pela pouca exigência cénica e interpretativa,
ganharam pela energia e vitalidade dos potenciais actores. A
encenação esteve ausente, a cenografia esteve ausente, a
luz esteve ausente. O que restou foi um momento lúdico á
volta dum tema preconcebido, com o que isso possa ter de
entretenimento. Os actores que interpretaram os
protagonistas de ambos os espectáculos possuem uma boa
energia e uma entrega interessante, o que me leva a querer vê-los
num projecto exigente, pois têm capacidade para ir mais
longe. Mas ficou o «soube
a pouco» como eco destas peças.
Texto
de Micaela Barbosa
www.cenakritika.blogspot.com
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