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Companhia Cena Aberta estreia texto de Plínio Marcos  

 

A Companhia Cena Aberta, da cidade da Praia, estreia no próximo dia 19 de Dezembro a peça «Quando as Máquinas Param», do dramaturgo brasileiro Plínio Marcos. A peça fala sobre a exclusão social de carácter financeiro, fala da pobreza, d o desemprego, e sobre as pessoas que se aproveitam deste fenómeno para enriquecer. Fala, sobretudo, da pobreza como um mercado de consumo para alguns. A encenação está a cargo de Wilton Alexandre e a interpretação fica a cargo da dupla Valdir Brito e Dulce Sequeira. Uma oportunidade a não perder para assistir a bom teatro na capital de Cabo Verde.

 

No palco está um casal cujo o marido não consegue um trabalho e no decorrer do espectáculo vão se desfiando todas as consequências deste mal, o que um homem de bem se torna capaz de fazer devido o desespero e a fome que bate a sua porta.


Espectáculo de carácter psicológico muito forte, sendo desaconselhável para menores de 14 anos.

 

 

Quem faz este espectáculo

 

Peça de teatro
«QUANDO AS MAQUINAS PARAM»
Autor: Plínio Marcos
Direcção: Wilton Alexandre
Elenco:
Valdir Brito e Dulce Sequeira

 

Quem foi Plinio Marcos

 

Plínio Marcos (n. 1935) irrompeu na dramaturgia brasileira em fins de 1966 com Dois Perdidos Numa Noite Suja, a que se seguiu Navalha na Carne. Ficavam de lado quaisquer esquemas racionais para exame da realidade social, em benefício do aproveitamento de personagens até então praticamente esquecidas: o lumpesinato urbano, as sobras do processo duro da luta por um lugar ao sol, a marginalidade que os sistemas injustos criam e não sabem como absorver. Violência insuspeitada toma de assalto o palco e se ela se funda em entranhado realismo, supera de longe os limites dessa escola.

Dois Perdidos, cujo ponto de partida é o conto "O Terror de Roma", de Alberto Moravia, se passa num quarto de hospedaria barata, depois de um assalto, patenteando o drama do imigrante deslocado na cidade grande e a inevitabilidade do crime para quem não dispõe de condições dignas de sobrevivência. Navalha na Carne reúne em cena uma prostituta em declínio, o cáften que a explora e o empregado homossexual do bordel. Antes, em 1959, numa única noite de um festival de teatro estudantil, Plínio havia conseguido apresentar Barrela, título que, na gíria, significa estupro ou curra. O texto inspirava-se no caso de um rapaz, detido por motivo menor que, ao ser solto, matou todos os que o estupraram na prisão.

Outro texto expressivo de Plínio é Abajur Lilás: três prostitutas, às voltas com o dono do prostíbulo, simbolizam o comportamento dos oprimidos em face do poder, nos anos ferrenhos da ditadura. Entre outras peças que exprimem uma vertente diversa do autor - o seu lado místico - Jesus Homem retoma a solidariedade evangélica do Cristo primitivo.

Repórter de um tempo mau, como gosta de definir-se, Plínio dramatiza em A Mancha Roxa a história de várias mulheres que, num presídio feminino, descobrem ser portadoras de Sida. Da verificação triste elas partem para o desafio de propagar a doença pelo mundo, em resposta à incúria da sociedade. Em pleno processo criador, Plínio Marcos continua a incomodar o gosto repousado do público, em sua trajectória de permanente rebeldia.

fonte: http://www.mre.gov.br

 

 

Cartaz de "Quando as Máquinas Param"

 

 

 

 

 


mindelact@hotmail.com