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«O mês de Março já se
corporizou na dinâmica teatral de Cabo Verde»
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O
«Março
- Mês de Teatro», institucionalizado em 2000, é hoje o
segundo catalizador anual de actividades cénicas
em Cabo Verde.
João
Branco, presidente da Associação Mindelact, fala-nos nesta
entrevista conduzida pelo jornalista António Monteiro, do
espírito e do conceito deste mês dedicado à promoção
das artes cénicas. Uma entrevista gentilmente cedida pelo
semanário «Expresso das Ilhas».
Entrevista
conduzida por António Monteiro
P: Março, Mês do Teatro, que vai ainda na sua primeira semana, tem
correspondido às suas expectativas?
João Branco
– Olhe, eu
tenho sempre a preocupação de definir o espírito do Março, mês do Teatro, antes de começar a falar especificamente do
que é que está a acontecer. E tenho a preocupação de
informar as pessoas de que o Março,
Mês do Teatro, não é um festival de teatro, mas antes
um mês de promoção às artes cénicas de uma forma geral.
E, ao contrário do festival, que é organizado por uma única
associação, neste caso, a Associação Mindelact, o Março
- Mês do Teatro,
do Mindelact, recebeu, por assim dizer, apenas o conceito. E
o conceito é exactamente, esse: um mês de promoção às
artes cénicas. O que tem acontecido, nos últimos anos, o
que para nós é extraordinário, é que os grupos de teatro
e outras instituições ligadas ao desenvolvimento de
actividades culturais ou educativas têm pegado nesta ideia
e desenvolvido actividades ligadas ao teatro precisamente no
mês de Março, solicitando inclusive à Associação
Mindelact para que essas actividades sejam inclusas numa
programação global chamada Março
- Mês do
Teatro.
Isso
é que é muito interessante: os grupos, nos seus locais, as
instituições, nos locais onde desenvolvem as suas
actividades, programam iniciativas relacionadas ao teatro
para poderem contribuir para este mês dedicado à promoção.
A promoção faz-se obviamente fazendo teatro, mas faz-se
também promovendo o teatro nas escolas, em conferências,
ciclos de documentários, fazendo teatro de rua, promovendo
acções de formação, etc. E tudo isto está acontecendo
um pouco por todo o país neste momento.
P: Portanto no Março, Mês de Teatro, não há grupos convidados.
JB – Não, no Março
- Mês de Teatro,
não há grupos convidados. O que há são grupos que
preparam as suas actividades para o mês de Março. A produção
de cada espectáculo é independente da Associação
Mindelact, é da responsabilidade do próprio grupo de
teatro que faz o espectáculo. A única coisa que acontece e
aconteceu aqui no Mindelo e sei também que aconteceu na
Praia, foi que os agentes teatrais se reuniram para de
alguma forma coordenar uma programação conjunta de maneira
que não houvesse coincidência de data ou grupos a
apresentarem-se no mesmo dia. Foi a única coisa que foi
feita em termos de coordenação.
Mas
cada grupo é responsável pela sua própria produção e
vai fazer os seus espectáculos, alguns em estreia aqui no
Mindelo, vão também acontecer espectáculos na cidade da
Praia, na ilha do Maio,
em São Nicolau
, no Sal e na Brava. Mas cada um dos espectáculos e cada um
dos grupos que está em actividade, está em actividade por
sua própria iniciativa. Por isso que eu considero tão
interessante o conceito e o espírito do Março - Mês do Teatro que é totalmente diferente do Festival Mindelact que
se realiza em Setembro, onde, aí sim, há uma direcção
artística e há uma selecção de grupos e espectáculos.
P: Portanto o projecto “Mais Março, Mais Teatro” que surgiu
recentemente na Praia e que pretende relançar o teatro na
capital vai dentro do mesmo espírito.
JB – Está precisamente dentro do mesmo espírito. Os próprios
organizadores fizeram referência ao Março
- Mês do Teatro,
na altura em que apresentaram esse programa. E nós só
podemos aplaudir; anunciamos a programação no nosso site
oficial e estamos absolutamente em sintonia com os agentes
teatrais da Praia. Não há nenhuma razão para que haja
algum tipo de distanciamento. Antes pelo contrário, as
actividades que são desenvolvidas em cada local são
independentes da Associação Mindelact; a única coisa que
solicitamos aos grupos e instituições é que nos informem
das actividades que vão decorrer, para que nós possamos
fazer a sua divulgação. É só isso, e portanto obviamente
aplaudimos com muito entusiasmo o que está a acontecer na
capital de Cabo Verde.
P: Como aprecias a aderência,
este ano, do Centro Cultural Francês, nas actividades cénicas
de Março?
JB – O Centro Cultural
Francês respondendo precisamente a este conceito do Março - Mês do Teatro programou dois espectáculos de teatro francófono,
tanto na Praia como no Mindelo: um grupo é da França e
outro do Senegal. Para nós é uma grande satisfação,
porque somos apenas criadores do conceito, mais nada. O
resto é da iniciativa de cada instituição e de cada
grupo. O CCF poderia ter programado esses espectáculos para
Abril, para Maio ou outro mês qualquer, mas fizeram-no
agora precisamente, porque quiseram abraçar este conceito e
contribuir para a promoção do teatro
em Cabo Verde.
Aliás
costumo dizer, meio a sério meio a brincar, que se um dia a
Associação Mindelact desaparecer é provável que o
Festival Mindelact acabe também, mas o Março
- Mês do Teatro nunca
acabará. Justamente porque o Março
- Mês do Teatro
está absolutamente corporizado na dinâmica teatral de Cabo
Verde. São os grupos e as instituições que já
têm essa ideia de que em Março se vai fazer teatro, se vai
promover teatro e se vão desenvolver actividades ligadas ao
teatro.
P: A Assembleia Geral da Associação Mindelact irá reunir no dia 10 de
Março, estando prevista a revisão dos actuais estatutos.
Porque se tornou necessária esta medida?
JB – É uma pergunta pertinente e acho que é importante informar
as pessoas. Já passaram 12 anos desde que foram feitos os
estatutos da Associação Mindelact em 1995, na sua
Assembleia-geral Constitutiva. O que nós verificamos,
principalmente na reunião da última Assembleia-geral em
Dezembro do ano passado, foi que era preciso actualizar os
estatutos à realidade não só da associação mas também
do nosso teatro e à realidade social; enfim, actualizar os
estatutos a todas as novas realidades, porque em doze anos
as coisas mudam bastante.
Então,
nós sentimos a necessidade de fazer essa proposta na última
AG de que os estatutos deveriam ser alterados e toda a
gente, de facto, concordou. A Associação Mindelact
convidou uma comissão independente de cinco pessoas, na
qual apenas um dos elementos é da Direcção, que durante
cerca de um mês fizeram um trabalho à volta dos estatutos
e vão levar para a Assembleia Geral uma proposta de alteração
de maneira que estes sejam mais flexíveis e principalmente
que estejam mais adaptados à realidade actual.
P: Como tem sido a cobertura dos Órgãos da Comunicação Social às
actividades cénicas em geral?
JB – É uma pergunta muito importante, principalmente no que diz
respeito ao Março, Mês
de Teatro. Sendo um mês de promoção, depende
essencialmente de uma boa dinâmica comunicacional, ou seja,
de uma comunicação forte, interessada, competente no que
diz respeito às diferentes actividades que se desenvolvem.
Eu diria que, fazendo um balanço do Março,
Mês do Teatro desde de que ele foi institucionalizado,
a Comunicação Social tem sido o eixo central do sucesso
desta iniciativa: uma excelente cobertura todos os anos, uma
preocupação em saber o que se passa, de contactar com os
agentes teatrais, a nível dos jornais, das rádios, da
televisão. Eu penso que a própria Comunicação Social
pegou de uma forma muito feliz no conceito de promoção ao
teatro durante esse mês e tem feito o seu trabalho e muito
bem. Em relação a isso a Associação Mindelact não tem
nenhuma razão de queixa, antes pelo contrário, e
parabeniza os jornalistas pelo excelente trabalho
desenvolvido.
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