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| Mensagem
alusiva ao dia Mundial do Teatro
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Estamos
aqui hoje para celebrar mais um Dia Mundial do Teatro. No
ano passado, por ocasião desta mesma data, os grupos de
teatro de S. Vicente emitiram uma comunicação conjunta,
apelando a uma maior união, salientando a dinâmica
produtiva crescente dos grupos de teatro cabo-verdianos e
demandando um maior engajamento dos vários poderes instituídos,
sejam eles empresariais, municipais, governamentais, ou
outros. Desde
esse dia passaram-se precisamente 365 dias. E é para nós
claro que este ano que passou permitiu que vejamos o futuro
com um optimismo crescente, se bem que reservado.
Pela
primeira vez, de uma forma sustentada, o Mecenato Cultural
deu a sua cara no que ao teatro diz respeito, com
assinaturas de acordos importantes para a sustentabilidade
do nosso trabalho, e cujos melhores exemplos são os casos
das parceiras firmadas entre a empresa Tecnicil e o Festival
Mindelact e a CV Móvel e o Março – Mês do Teatro do
presente ano. A abertura do empresariado nacional em assumir
uma cultura de mecenato, que não seja fundamentada em relações
pessoais, logo
subjectivas, mas sim na premiação do mérito e da competência,
representa um sinal importante de que esta é uma luta pela
qual, e porque é feita com generosidade, nobreza e altruísmo,
vale a pena dar a cara e o corpo ao manifesto. A preocupação
e a consumação de acordos de parcerias com instituições
como a Câmara Municipal de S. Vicente, e com o Ministério
da Cultura de Cabo Verde (cujo acordo acabamos de selar à
poucos minutos) demonstra igualmente o engajamento dos
nossos actores políticos neste processo de desenvolvimento
das artes cénicas cabo-verdianas.
Mas
neste momento de encruzilhada, em que tanto se fala de
desenvolvimento económico, da entrada de Cabo Verde nos países
de desenvolvimento médio, de sustentabilidade do fazer
cultural, podemos e devemos querer e sonhar com mais.
Podemos sonhar com uma escola de artes cénicas, sonhar com
um teatro construído de raiz, onde os grupos de teatro
possam ensaiar, programar, produzir, contribuir para o
desenvolvimento cultural deste país e não ter que pagar
por isso. Assim como já sonhamos um dia ter um teatro de
qualidade artística, assim como já sonhamos um dia ter
em Cabo Verde
um festival de teatro considerado um dos mais importantes
eventos africanos, assim como já sonhamos e idealizamos um
Centro de Documentação e Investigação Teatral, garante
da nossa memória e logo da nossa própria história, e
tendo em conta que desses sonhos, a força tornou realidade,
deixem-nos sonhar com esse espaço feito para responder a
essa procura crescente do povo e a essa vontade colectiva de
continuar a fazer de Cabo Verde uma nação teatral que se
orgulha da sua obra e não deve nada a ninguém. O desafio
fica desde já lançado: só pedimos um espaço, um chão,
um terreno. Dêem-nos isso e em menos de cinco anos S.
Vicente terá um teatro feito, concebido e construído pelos
próprios agentes teatrais, com as nossas próprias mãos se
preciso for, que será usado por eles e pela cidade, cada
vez mais engajada no teatro que vamos construindo todos os
dias. E este apelo é feito à imagem e semelhança do que
vem sendo a nossa forma de trabalhar ao longo destes anos.
Construindo projectos de qualidade, apresentado um produto
cultural que orgulha a Nação, conquistando parceiros e
elogios dentro e fora do país, para fazer hoje o que ontem
pareceria impossível de tornar realidade. Nunca esquecendo
uma frase que o cientista político e economista David
Landes escreveu na sua obra prima «A Riqueza e a Pobreza
das Nações». Diz-nos ele que «se aprendemos alguma coisa
na história do desenvolvimento é que a Cultura faz toda a
diferença». Queremos, pois, aqui e agora, reivindicar o
nosso espaço como actores neste processo de desenvolvimento
de Cabo Verde.
Finalmente,
peço a vossa paciência para a leitura de uma mensagem
alusiva ao Dia Mundial do Teatro, emitida hoje na Internet
por Sua Alteza O Xeque Dr. Sultão Bin
Mohammed Al Qasimi, membro do Conselho Supremo dos Emirados
Árabes Unidos. Uma mensagem que tem tanto de bela como de
significativa, por ser escrita por alguém do poder, de uma
nação longínqua e que, há primeira vista, nunca teria a
sensibilidade necessária para ser autor das palavras que
vos irei transmitir de seguida. O facto de ter sido escrita
por quem foi, é também um sinal de esperança e uma forte
marca da presença e da importância do Teatro no nosso
mundo, como arte e como espelho da natureza humana, nos dias
conturbados que vivemos. E diz assim:
"Muito
Jovem, descobri o amor pelo fascinante mundo do Teatro. Pude
entender e valorizar a sua verdadeira essência quando me
envolvi seriamente como escritor, actor e director de uma
produção teatral de carácter político que provocou a cólera
das autoridades da época. Confiscaram tudo o que se
encontrava no Teatro e procederam ao seu encerramento
perante os meus próprios olhos. O espírito do Teatro que
vivia em mim não tinha outra escolha frente aos soldados
armados que a de refugiar-se e teimar com a minha consciência.
Nesse momento, compreendi a força e o poder do Teatro
perante aqueles que não toleram a opinião dos outros e
aprendi, com certeza, o papel sério e importante que o
Teatro pode desempenhar na vida dos povos.
Durante
os meus anos de estudante no Cairo, o palco entrou no
profundo da minha consciência e deixou raízes, li tudo
quanto se escrevia sobre Teatro e tive ocasião de assistir
aos espectáculos mais diversos. Esta descoberta
aprofundou-se anos depois e hoje, o Teatro continua a
interessar-me de modo geral.
Aprendi
através das minhas leituras, sobre a Antiga Grécia até
aos nossos dias, a magia potencial que o mundo do Teatro
contém e a sua capacidade para descobrir a profundidade da
alma humana e revelar os seus mistérios. O Teatro constitui
um factor de unificação dos seres humanos e o homem pode,
através dele, encher o mundo de amizade e abrir horizontes
de diálogo entre os povos, sem distinção de raça, cor ou
crença. Foi para mim um factor suplementar para aceitar o
Outro tal como é. Compreendi igualmente que o bem unifica
os seres humanos e que o mal os separa.
As
guerras que golpearam a humanidade desde épocas antigas
encontraram justificações profundas nas intenções maléficas
que não apreciam a beleza. E a beleza perfeita não se
encontra em nenhuma outra arte como no Teatro. Ele é o
recipiente que contém todas as Belas Artes. Aquele que não
saborear a beleza não pode apreciar o valor da vida; e o
Teatro é a vida.
Necessitamos
repelir hoje todas as guerras absurdas em todas as suas
formas e divergências dogmáticas que flagelam. Na ausência
de um travão moral, de uma consciência viva, o espectáculo
das violências e os assassinatos cegos vão submergindo em
todo o planeta com o seu cortejo de desigualdades, entre uma
riqueza excessiva e uma miséria negra entre as partes de um
mundo sinistrado por epidemias endémicas ou pelos problemas
de desertificação e seca. Tudo isto é causado pela ausência
de um diálogo autêntico que possibilite fazer deste mundo
um lugar para vivermos juntos.
Amigos
do Teatro, uma tempestade desencadeia-se sobre o nosso
planeta, causada pela violência de um turbilhão de
suspeitas e desconfianças que ameaçam e nos impedem de ter
uma visão clara das coisas. As nossas vozes são sufocadas
e não chega a todos os ouvidos a causa da violência e a
divisão dos povos. Esta tempestade ameaça desviar-nos e
afastar-nos uns dos outros.
Devemos
opormo-nos aos que fazem soar a corneta para desencadear
tumultos, não para destruí-los mas para afastarmo-nos de
atmosferas contaminadas e dedicar nossos esforços à
comunicação e estabelecimento de relações amistosas, com
quem prega a fraternidade entre os povos.
Nós
somos meros mortais, mas o Teatro é como que eterno, como a
própria vida."
Emitido
a 27 de Março de 2007
Bem
haja ao Teatro Nacional
Bem
haja às nossas mulheres
Um
duplo bem haja aquelas que são mulheres e actrizes, porque
hoje, duplamente, é o vosso dia.
Direcção
da Associação Artística e Cultural Mindelact
O
Março - Mês do Teatro em S. Vicente tem o Patrocínio Exclusivo da

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