Quando as Máquinas Param
Companhia Harém de Teatro / Teatro Extremo
BRASIL/PORTUGAL

PALCO PRINCIPAL

 

 

O Espetáculo

 

Dizem que quem se quer bem sempre se encontra, mas quem se ama acaba sempre por se encontrar. Então, a relação entre o Harém de Teatro e o Teatro Extremo é uma história de amor que começou a ser construída há mais de uma década. Ao longo desse tempo, cá e lá temos feito amor com a linguagem mais genuína e nobre: a Arte, o Teatro.

 

“Quando as Máquinas Param”, do Plínio Marcos é um renovado momento de prazer. Um prazer e um desafio (não é sempre?). Um desafio para mim, como diretor, e um desafio para os atores que aqui atuam. Um desafio para todos os homens e mulheres destas duas companhias de teatro que conosco partilham as dores do parto da obra de arte.

 

No início do nosso processo artístico foi erguida uma dramaturgia em que a leitura mais explícita do texto surgia límpida, principalmente numa Europa a braços com uma crise profunda, gerada pelo mesmo sistema que anos a fio foi explorando, impune, as riquezas da América Latina, Africa, Ásia, no fundo dos Oceanos, no Espaço. Urano acaba por devorar os próprios filhos. Esta linha de pensamento contradizia, no entanto, o que se passa atualmente no Brasil. Um país lusófono que se sente confiante e que aspira, com toda a legitimidade, a ser um dos protagonistas principais do mundo onde vivemos.

 

Perguntaram ao Plínio Marcos, pouco antes de ele morrer, por que é que as suas peças, depois de tanto anos, continuam a ser representadas, ao que ele respondeu que elas continuam atuais porque o Brasil não evoluiu.

 

Pessoalmente, posso afirmar que existe neste momento uma grande diferença entre 2010 e o ano 2000, quando fiz no Brasil a direção de “Dois perdidos numa Noite Suja”. Sinto um fervilhar, uma energia construtiva que não senti nessa altura. Mas o Plínio tinha razão. Há coisas que não mudaram ainda. Não só no Brasil, mas infelizmente em todo o mundo. Daqui se re-inventou uma dramaturgia. Todo o texto de “Quando as Máquinas Param” está impregnado desta substância, era só necessário revelá-la, como um negativo fotográfico que só se desvenda no positivo do papel, no palco de um teatro. Foi isso que fizemos.

 

Procuramos uma vez mais dar relevo às margens da sociedade, nesta peça um casal pobre, não miserável, mas pobre, e destacar o que de universal existe nesta obra do Plínio: a condição feminina. Jonh Lenon afirmou que: A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem. Esperemos então que seja do vosso agrado desfrutá-la como foi do nosso desvendá-la.

 

Fernando Jorge Lopes
Encenador

 

As Companhias

 

Grupo Harém de Teatro – Teresina – Piauí - Brasil

 

O Grupo Harém de Teatro surgiu em Teresina durante a realização da Semana Chico Pereira, no mês de Dezembro de 1985, em homenagem ao grande dramaturgo piauiense, reconhecido nacionalmente. O Grupo mostrou a peça “Os Dois Amores de Lampião Antes de Maria Bonita e "Só Agora Revelados” e depois se uniu ao espetáculo “Raimunda Jovita na Roleta da Vida”, formando junto com “Raimunda Pinto, Sim Senhor!” e “Ramanda e Rudá” a tetralogia Raimunda, Raimunda.

 

Em seu currículo, o Harém conta com participações e premiações em diversos festivais nacionais, a citar VII Festival de Teatro de São José do Rio Preto – SP, IX Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa – PR, III Festival Nacional de Teatro de São Mateus – ES e Festival Brasileiro de Teatro de
Erechim – RS.

 

Em 99, o grupo participa da 4ª edição da “Sementes”, Mostra Internacional de Teatro Para o Pequeno Público com o espetáculo “O Princês do Piauí”, de Benjamin Santos. No ano seguinte, estreia a co-produção lusófona com o Teatro Extremo (Portugal) “Dois Perdidos Numa Noite Suja”,
de Plínio Marcos.

 

Em 25 anos de atuação, o Harém montou grandes textos como: “O Cavalinho Azul”, de Maria Clara Machado; “Harém Conta o Assassinato do Anão do Caralho Grande”, Plínio Marcos; “O Auto do Lampião no Além”, Gomes Campos; “Raimunda Pinto, Sim Senhor!” e o “O Vaso Suspirado”, Chico Pereira e “Casa de Bernarda Alba”, de Federico Garcia Lorca.

 

Desde 2008, o grupo é o responsável pela coordenação e realização do Festival de Teatro Lusófono, que reúne espetáculos de língua portuguesa.

 

Teatro Extremo - Almada - Portugal

 

O Teatro Extremo iniciou a sua actividade em 1994 na cidade de Almada, Portugal. O projecto artístico desta companhia, tem por objectivos a criação, consolidação e amplificação de hábitos de fruição estética e a formação de novos públicos.

 

Estrutura financiada pelo Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Almada, o Teatro Extremo criou, até 2010, quarenta espectáculos para diferentes públicos, contando com criações colectivas e textos de autores nacionais e estrangeiros, a exemplo de Gil Vicente, Plínio Marcos, Umberto Eco, Oscar Wilde, Bertolt Brecht, Matéi Visniec, Gabriel Emanuel, Antónia Terrinha, António Cabrita e Manuel António Pina.

 

A nível nacional e além fronteiras, participa em Festivais e Encontros de Teatro, tendo apresentado o seu trabalho em Espanha, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Índia e Brasil.
Possui, desde 1999, instalações próprias, recentemente remodeladas, que têm permitido consolidar o seu trabalho e acolher artistas e estruturas do concelho, do país e do estrangeiro, neste último caso, especificamente, no âmbito do festival internacional que organiza anualmente desde 1996, “Sementes – Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público”, considerado uma das mais importantes mostras culturais no panorama artístico e cultural nacional e internacional. Paralelamente à actividade de criação e programação, o Teatro Extremo desenvolve um Serviço Educativo em que dinamiza iniciativas de carácter regular, "Feira dos Brinquedos" “Sorriso de Natal”, "Hora do Conto" e oficinas dirigidas a diferentes faixas etárias.

 

Mais de meio milhão de pessoas participaram, até à data, nas actividades desenvolvidas pelo Teatro Extremo.

 

Em 2002 foi-lhe atribuído a Medalha de Prata de Mérito Cultural da Cidade pela Câmara Municipal de Almada.

 

 

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Ficha Artística

 

TEXTO ORIGINAL

Plínio Marcos

 

ENCENAÇÃO

Fernando Jorge Lopes

 

INTERPRETAÇÃO

Bid Lima e Francisco Pellé

 

DESENHO DE LUZ

Celestino Verdades

 

ASSISTÊNCIA E OPERAÇÃO DE ILUMINAÇÃO

Assaí Campelo

 

SONOPLASTIA E BANDA SONORA José Dantas

 

CENOGRAFIA

Gualberto Júnior

 

FIGURINOS

Bid Lima

 

CONSULTADORIA DRAMATÚRGICA Arimatan Martins

 

ASSISTÊNCIA DE ENCENAÇÃO

Flávia Lectícia e Naruna Brito

 

PRODUÇÃO

Francsico Pellé e Sofia Oliveira

 

REALIZAÇÃO

Grupo Harém de Teatro (Brasil) / Teatro Extremo (Portugal)

 

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA

M/12

 

DURAÇÃO

65 minutos, sem intervalo

 

IDIOMA

português

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