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É com uma particular
satisfação que a Associação Mindelact edita este número
especial da Revista Mindelact, totalmente dedicada à
dramaturgia cabo-verdiana.
De há muito que se tem a
percepção de que a nossa dramaturgia não pode ser reduzida
às poucas peças que se sabem publicadas. Serão pouco mais de
meia dúzia. No entanto, existem hoje muitos talentos a
escrever peças de teatro, muitas das quais já foram
estreadas. Ou seja, esses textos já foram apresentados
enquanto componente de uma obra de arte mais complexa, que é
uma peça teatral. O que é preciso fazer a partir daqui?
Muita coisa.
Existe uma vasta e rica
dramaturgia nacional? Acreditamos seriamente que sim. As
peças estão aí, à espera de uma oportunidade. De fixação e,
sobretudo, de edição. E a dramaturgia nacional não se esgota
no actual paupérrimo panorama editorial, como esta edição
histórica da revista Mindelact vem tentar demonstrar. E de
outra coisa estamos certos: este número da revista Mindelact
representa não só uma pedrada no charco como a ponta de um
iceberg dramatúrgico vasto, rico, latente, ingénito.
Este número especial, com
sete peças de teatro inéditas de autores consagrados ou
menos conhecidos permite, por exemplo, a publicação, pela
primeira vez, de uma peça de Jorge Martins, autor da maioria
das peças do grupo Juventude em Marcha, que comemora o seu
20.º aniversário. Permite que fiquemos a conhecer um pouco
mais da veia teatral de um Arménio Vieira ou de um Júlio
Fortes, e que possamos apreciar estilos tão característicos
e diversos como os que estão patentes nos textos de um Mário
Lúcio Sousa, Espírito Santo e Silva ou Ano Nobo.
Esta edição – histórica, permitam esta
insistência – será apenas a primeira de várias actividades
que a Associação Mindelact produzirá nos próximos anos em
favor de uma maior divulgação da nossa dramaturgia nacional.
Estaremos assim a contribuir para dar uma maior consistência
à tese de que temos em Cabo Verde um Teatro Nacional, em
pleno processo de maturação. Além de que continuaremos a
reservar espaço na revista para a edição de peças de teatro,
como já aconteceu em números anteriores.
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Mário Lúcio
Sousa - Sózinha no Palco? |
Nasceu no
Tarrafal da ilha de Santiago.
Escritor, poeta,
músico e dramaturgo.
Fundador e líder
do grupo musical Simentera.
Para ele,
escrever uma peça, é como dar à luz a um filho.
Outras peças:
«Adão e as Sete Pretas de Fuligem» e «Salon».
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Espírito Santo
Silva - Inconformismo |

Nasceu no Mindelo, ilha de S. Vicente.
Dramaturgo e fundador de vários projectos teatrais.
O
teatro ocupa parte importante da sua vida.
Outras peças: «Pitrôl», «Um Estranho à Minha Mesa»,
«Retalhos de Vida», «Os Corcundas», «O Caloteiro» e «Visões
Apocalípticas».
Nasceu na vila de
Ribeira Grande, ilha de Santo Antão.
Antigo aluno dos
Salesianos e colaborador de vários projectos teatrais.
Foi director
artístico da Associação Recreativa Teatral e Cultural Frank
Cavaquim.
Mantém sempre
vivo em si mesmo, o espírito do teatro.
Outras peças:
«Carteiro», «Dª Guiomar» e «Um Encontro na Cama».
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Arménio Vieira -
Apocalypse Now |

Nasceu na cidade da Praia.
Escritor e poeta.
Chama às suas curtas peças, «divertimentos teatrais».
Outras peças: «Ela Estava ou Não Estava».
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Ano Nobo - O
Egoísta & Santo Pimpim Preto |

Nasceu em S.
Domingos, ilha de Santiago.
Mais conhecido
como compositor, dedicou parte do seu talento à dramaturgia.
Ganhou um Prémio
Nacional de Dramaturgia, em 1999.
Um humilde poeta
popular.
Outras peças:
«Julgamento de Tótó Montero», «Fiticêra de Língua», «Mufino
Ku Maroto» e «S. Vinte Três».
Nasceu na ilha de Santo Antão
Dramaturgo, fundador, actor e responsável artístico do grupo
de teatro Juventude em Marcha.
As
suas peças são conhecidas e populares em todo o país e na
diáspora mas nunca foram publicadas.
Muito do que escreve é produto daquilo que é mais típico e
tradicional no povo de Santo Antão.
Outras peças: «Sofrimento e Amargura», «Problema de
Família», «Quotidiano», «Horrores de uma Madrasta»,
«Meandros de Vida», «Destino Cruel», «Preço de um
Contrabando», «Órfãos do Penedo» e «A Herança».
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